quarta-feira, fevereiro 3

.asas amputadas.

. sonífero .

madrugada do dia 24.
Saímos de casa, Dai, Suca e eu em direção à casa de Fabão. Comemorar o aniversário de Xandinha.
Uma querida que tem todo o direito de sempre sorrir.
Já era 1 da manhã, e lá íamos nós, por um atalho sem fim, de matos e tal; e confiantes.
Ridiculamente confiantes em andar, por aí, 'vestidas com as roupas e as armas de Jorge'.
Ao chegar na porta da festa, a presença inquietante de um figura, meio noiado; embora seguro de si, foi transtornando as pessoas da festa.
Inclusive nós, que acabávamos de chegar,  eu, ingênua da boa fé dos seres, fui logo pegando no braço dele, desejando 'Boa Noite', achando que por ele estar na porta da casa era mais um des12.conhecido.
...
Enfim, lá pelas tantas, Fabão agoniado foi dando um jeito de afastá-lo da casa, com aquele jeito ariano torto. E conseguindo voltamos pra festa, uma roda* a parte, sorriamos, e bebíamos a Vida de Xanda.
Pareceu surreal como tudo começou. Um burburinho adentrava a cozinha, no fundinho da casa, gritos, euforia, uma coisa estranha.
Um rapaz, da casa, chega em trajes sumários, meio atordoado, ligando pra polícia.
Sua 'ficante', uma então desconhecida da galera tinha sido sequestrada e feita refém por este ser desprezível.
Ele, dizia por telefone, já em algum lugar turvo da cidade:
" Não consegui nada da noite, a galera lá era lisa, mas 'tô' com 2 celulares e uma figura."
{ }
Não me me lembro o ponto de onde parei. A minha gargalhada transformou-se em náusea. Quis ir ai banheiro, fiquei tonta, indignada. Me sentindo amputada por não ter escolha.
Pensando em Valentina, pensando em nós três andando naquele matagal até chegar ao nosso destino.
A madrugada começou a deixar a escuridão pra trás, e fui do quartinho até a cozinha e ví quando o Sol foi beijando o dia, o quintal de Fabão e dos meninos, tão dourado.
Foomos pra casa Rodrigo, Xanda, Su e eu. O Sol implacável.
Mas ainda sorríamos.
Me lembrei { ou lembrei à Su } que saímos sem levar o controle do portão, e domingo não tem porteiro, nem Rogério.
Por sorte, ou por ironia do acaso; só a vizinha-louca do apê embaixo do nosso estava chegando, e relevando todas as nossas diferenças nos abriu o portão.

Foi tudo rápido depois. Uma cena tórrida de amor inavdia minha sala. E tudo parecia estranhamente branco, senão pela janela, desenhando um Céu a la Monet.
Um cochilo tumultuado; alguns telefonemas vindo da casa da minha avó, onde minha filha tinha passado a noite, me fizeram acordar, tomar um banho purificante e decidir:
Vamos pra roça .!




I.

24.Janeiro.2010, Domingo.

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