A dificuldade em traduzir-me em palavras não faz do poder da palavra inerte resposta ao meu ego.
As palavras ainda são meu dom, ainda carrego nelas toda a vontade e todo o meu receio; toda a minha verdade e todo o engano. Faço deste poder o que exalta. Faço deste poder o que enobrece.
Quando faltam-me as palavras sei estar havendo certos equívocos. Ou meus de fato, ou apenas um grande equívoco da vida.
A estrada carrega em si curvas, distraídas formas de nivelamento da Alma. Comportamento humano que traduz a falta de sintonia com o destino próprio que cada Ser tem em si.
Quando sou A palavra sou o que me pertence, sou o que abunda em mim. E então meu silêncio faz-se mais inerente, mais cheio do que vazio, mais torrente do que poça-de-água parada, pairada sobre a vida.
Pensar é colorir o sentir com invenções. Sentir é só alimentar a vida.
Falar, é dar vida ao sentir. É dar resposta ao coração.
Não sei estar perdida, posso ir na direção oposta; mas é por gosto, por vontade da alienação tardia.
Me encontro em cada buraco da síntese; 'palavra palavra que estranha potência a vossa. Todo o sentido da vida principia à vossa porta.'
E, aliás, não sabendo traduzir-me em palavras, faço do risco o meu caçador.
Caçador de palavras.
I.
25.Março.2010 - Quinta-Feira de chuvinha fina, e gotas cristalinas vinda da viela da Alma.
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