sábado, abril 10

sobre o que os sonhos falam.

{ ou a linguagem do sono }

Mergulha-se num outro mundo. Eis o seu verdadeiro mundo.
Sem máscaras, mentiras, jogos de argúcia ou afins.
Tudo é estranhamente real porque a linguagem dos sonhos carrega o fascínio do querer, do poder, do fazer.
Dificilmente abro asas e lanço-me vôo ao infinito, prefiro tentar correr deste ou aquele perigo mortal.
Como explicar a minha quase não-força em correr diante de qualquer adversisdade, ao sonhar, e em contrapartida voar simplesmente ao menor desejo, ou maior precisão.?
Sempre a sensação de não poder mais voltar ao paralelo vivente, umas vezes a sensação é tão nítida quanto real, que meu corpo estremece em resistir àquele sonho; n'outras vezes carrego corpo alma e adentro no sem-fim dos meus sonhos mais deliciantes.
Entender ?! Sufoco-me o espírito ao tentar tal proeza.
Não são feitos para serem entendidos, os sonhos. São minuciosamente montados por um inconsciente despido de regras, de éticas, de morais impostas (e hipócritas). São, assim, únicas formas de vida inteligente dentro de nós.
Os sonhos são feitos para nosso corpo descansar de toda mentira carnal ao qual somos submetidos, desde a menor idade até mesmo depois do corpo deixar a Alma. Eles permanecem, após a temida Mãe-Morte.
O que resta da nossa Alma é o que nossa mente herda de cada sonho vivido, e somente estas lembranças perpetuadas são capazes de reavivar o caráter humano perdido em vida anterior.
Ao cuidar dos sonhos tornamo-nos capazes de cuidar do jardim da mente.
Cuide-se.

Era eu, e estava em um galpão completamente fechado, quase sufocante aquele cheiro morno e denso.
Havia um espelho e dentro deste espelho portas. Adentrei em uma delas, não por tê-la escolhido, mas por ela ter me acolhido no instante do meu pulo.
Ao sair daquela porta eu me encontrei em uma dessas ruazinhas do centro da cidade e havia um café, ou uma conveniência e eu entrei.
Neste lugar haviam mais três meninas. Uma muito bonita, com olhos claros, cabelos castanhos escuros, corpo esguio e provocantemente sinuosa; a outra era bonita, tinha cabelos loiros, olhos mais claros do que a primeira mas era levemente encorpada; a terceira era uma meninota, de cabelos escuros, bem serelepe e atrevida, mas me parecia a mais esperta de todas, ou a que mais se preocupara em sentir a vida.
Ao momento da minha chegada naquele local todas as três prontificaram em me fazer sentir bem, acolhida e de alguma forma me deixar à vontade: a menina de olhos claros e corpo magro se deitou em um amontoado de fronhas ou lençóis improvisado em uma brecha de mantimentos e ao meu ver tentava me seduzir com provocantes movimentos de quadris e olhares sedutores, ...; a menina mais gordinha me ofereceu uma bebida, uma long neck de cevada importada com uma garrafa bem transada e bebemos muito, até ela me mostrar um barril com outro tipo de bebida e eu preferir não continuar, ...; a menina estava ali todo o tempo, não tentara me entreter de nehuma forma, ao contrário, se escondia por entre as gôndulas e com isso atiçava ainda mais a minha curiosidade em entendê-la.
Nessa brincadeira de esconder, ainda me lembro de ter me deitado com a menina magra, tê-la tentado beijar na boca, de ter quebrado algumas garrafas pelo caminho pois corria muito em direção a pequena menina, mas no momento em que fui dar de cara com ela, sem esta poder escapar; acordei.
E fui  muitas, quantas posso ser.



I.

10.abril.2010 - Sentada em uma mesa de restaurante no Centro, próximo ao terminal de ônibus, e com uma fome que me fez desistir de comer a comida do lugar.

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