terça-feira, setembro 7

. branco gelo .

{ trilogia das cores }

O dia nasceu frio. As nuvens formavam desenhos, sem serem vistas. O vento soprava alto, sem ser ouvido. As pessoas se amontoavam em esquinas, bares, por toda a cidade. Os copos tilintavam ao serem postos sobre a mesa, a conversa era gostosa e as almas bem encorpadas; embora algo estivesse por um triz. Desceram para um bar para festejar uma vida. Econtraram outros em uma casa tão grande e cheia. Muitas risadas, algumas da alma, outras mais embriagadas. Em casa, o banho estava tão quente, as vozes preenchiam a casa, vozes que não eram antigas; toda a euforia anterior virou uma ansiedade crônica, uma espera cansativa e consumindo todo o ambiente. A descida até onde nascia o som foi propensa a mais ansiedades. As músicas  não faziam parte de lembranças sérias, algumas até levariam a um lugar comum; embora tudo fosse euforia e alegria em demasia. A tensão começou a ser material quando discutiu com uma amiga, embalada em 'doces sonhos';  ela havia arremessado seu chapéu panamá ao alto (atirando sua máscara bem planejada). Então, somente uma dor. A dor de tanta ânsia. A música não parava de tocar. Tocara até o momento em que o silêncio de si mesma a transportava até a porta da casa em que morava. Fazia um frio. O eterno frio da solidão, aquela tal solidão conhecida de sua infância. A solidão da certeza sobre as coisas mais misteriosas.



Indira - Sábado | Diogo Nogueira / Titãs / Capital Inicial - Festival de Inverno.

níver : Nayra.

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