quarta-feira, julho 21

daquela coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho .

    

     Os pensamentos brincavam de lhe faltar; na contradança louca de pensar em demasia. Quanto mais pensava mais absorvia os sentimentos, e o coração doía aquela mesma dor sem nome. Fazia tempo que desconhecia esse sentir carregado de opostos e isso lhe pareceu retomar antigas sensações. Acordara meio tonta pela estranha vontade da noite que passara. Sentiu o sorriso da pequena da sua alma, embora lhe faltasse um pedaço do coração. E pensou sobre o peso do tempo, quando este quer andar a passos curtos pela longa estrada rumo ao desconhecido. O destino sempre a fazia voltar ao passado que lhe dizia da impossibilidade das coisas do sentir. Será que acabaria sendo verdade toda dor que sentira ? A tarde passou esgotando-lhe as forças. Sorveu um cigarro sentada no paralelepípedo da rua de sua infância, enquanto contava aos soluços sobre a vida. A noite parecia agradável, chegando devagar, embora trouxesse no silêncio dos astros algo incompreensível a ela. Aquele rosto de antes, com o gosto do antes de tudo. Quanto tempo perduraria a sensação de vazio inesgotável ? Quanto tempo mais seria necessário para se curar o coração em dilacerados pedaços ?! Quando ouviria soar da boca da sua amada  as palavras exatas para se revestir de harmonia a vida ?.




Indira.

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