sexta-feira, julho 16

entre os meus inimigos. beija-flor. ~~*

Arrancaram-me o coração.

Arrancaram-me o coração.
E as mãos sujas do meu sangue tinham garras afiadas.
Arrancaram-me o coração; e ele jaz ao chão indefectível.
Por que arrancaram-me o coração ?
E como ele ainda pulsa ?
Ali. O coração que me foi arrancado, ali.
E ainda pulsa.
Pulsa para me fazer doer a dor sem nome.
Meu corpo coberto do sangue treme ao menor vento.
E continuo a sentir aquele coração pulsando.
Arrancaram-me o coração, a alegria de um sorriso,
a energia de um sentir, a força de um beijo.
Arrancaram-me o coração; e a vida .
Ainda sinto o pulsar lento. E como dói
ainda senti-lo.
Olho aos céus, numa súplica, para que jamais volte a sentir
o pulsar daquele coração, despedaçado ao chão.
Pra onde foram as mãos com suas garras afiadas ?!
Para quê quisera tê-lo arrancado de mim ?
A dor é vê-lo ao chão.
Num abraço sinto as garras atravessando a minha carne.
Num abraço, que me dizia tanto do amor, sinto devagar as artérias sendo arrancadas,
numa tortura quase sádica.
Enfim. Meu coração; que já não é - meu coração,
pulsa longe do meu peito.
Ensanguentado de vermelho, assim como as mãos de garras afiadas.
Será que ao terminar tão doloroso ato
aquelas mãos foram lavadas com água pura ?
Não voltarei a vê-las. As mãos que me desfaleceram o coração.
Não voltarei a senti-lo, dentro do meu interior.
O coração pulsa, mesmo dilacerado, moribundo.
Não o quero.
Sigo; sem coração .!





Indira. 


14.Julho.2010 - Depois de sentir um vazio enorme em meu peito, flagro um coração pulsante ao chão. Teria sido meu, um dia. Mas também um dia, fora dado ao grande amor. E tudo, enfim. Morre.!

Um comentário:

Flor de Maracujá° disse...

grande amor|amor|meu grande amor..
Que eu seja o último e o primeiro. E quando eu te encontrar °Meu grande amor°
Por favor, me reconheça.. !