quinta-feira, julho 15

Sobre o abandono .

Abandonei-me ao Vento
Carlos Nejar



 Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode 
 explicar-te o vento que me invade. 
 E já perdi o nome ao som da morte, 
 ganhei um outro, livre, que me sabe


 quando me levantar e o corpo solte 
 o seu despojo vão. Em toda a parte 
 o vento há de soprar, onde não cabe 
 a morte mais. A morte a morte explode.


 E os seus fragmentos caem na viração 
 e o que ela foi na pedra se consome. 
 Abandonei-me ao vento como um grão.


 Sem a opressão dos ganhos, utensílio, 
 abandonei-me. E assim fiquei conciso, 
 eterno. Mas o amor guardou meu nome. 

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